John Kotter: CEOs em contraste na liderança da mudança

O expert em gestão de mudanças, Kotter, apresenta durante o Fórum HSM Gestão & Liderança 2011 atitudes e comportamentos de dois CEOs. Confira!
John Kotter, autoridade mundial em gestão de mudanças, deu início ao Fórum HSM Gestão & Liderança 2011 destacando que as mudanças se aceleraram nas últimas décadas até chegarem a um ritmo que cresce exponencialmente. Isto pode ser observado ao se analisar os rankings das companhias aéreas, que praticamente se mantinham inalterados nas décadas de 1950 e 1960, começaram a mostrar movimentos mais significativos nos anos 1970 e, a partir da década seguinte, foi mudando cada vez mais aceleradamente.
Também os ciclos de vida encolheram nesse período. Hoje, há produtos tecnológicos que chegam ao declínio em apenas dois anos. O número de patentes registradas também sobe exponencialmente. As fusões e aquisições são muitas e as informações que carregamos em nossos dispositivos de mão são cada vez mais abundantes.
Para estimular a reflexão sobre o que contribui para a construção da empresa do século 21, Kotter apresentou dois vídeos com palestras de dois CEOs, realizadas nos anos 1980, que anunciavam mudanças em suas organizações. O público presente no Teatro Alpha, em São Paulo, teve oportunidade de comentar o que viu.
A fala do primeiro CEO enfocou a compra de outras empresas e, de acordo com as manifestações voluntárias da audiência, não convenceu a maioria dos presentes. Passou a impressão de falta de foco, de estratégia para desenvolver a sinergia entre as empresas, de preocupação com desenvolver o sucesso (já que era uma estratégia de aquisição do sucesso) ou com a globalização.
O consultor Robert Wong, que estava na plateia, assinalou não ter ouvido do CEO a palavra “pessoas”, força fundamental para o sucesso de qualquer transformação. Essa empresa, de fato, não obteve sucesso.
O contraponto
O segundo vídeo mostrou Jack Welch, que era CEO da General Electric (GE), em clara oposição ao estilo do primeiro CEO. À época, o executivo da GE, que realizava desinvestimentos, estava sendo criticado na imprensa por ser muito rápido nas mudanças. Indagado por um aluno o que teria feito diferente, Welch respondeu: “Talvez eu tenha sido lento. Qualquer mudança incremental em burocracia sofre rápida resistência dos opositores. É necessária uma grande varredura. Quando o negócio precisa de mudança radical, ela tem de ser radical e ousada”.
Welch ainda aconselhou: “Aja, aguente as consequências e, se você tiver certo, a mudança vai decolar. Se estiver errado, corte as perdas e faça outra coisa. É inaceitável a hesitação em um mundo que se move em nanosegundos!”
O CEO salientou a importância de investir no futuro e a preocupação da empresa com as pessoas. Segundo ele, altos executivos que atuavam nos negócios dos quais a GE saía passaram a liderar empresas que estavam sendo adquiridas e estavam mais felizes. Welch ainda reforçou o papel dos valores da organização e afirmou, admitindo que o erro é aceitável: “Queremos pessoas que fazem a coisa certa, e não que se concentrem em fazer certo as coisas o tempo todo. Temos de criar uma atmosfera onde as pessoas querem estar. Tentamos nos afastar de cem anos de cultura de punição por tentar”.
Como é amplamente difundido, a GE conseguiu se posicionar bem para o século 21. Na reflexão entre Kotter e a audiência do Fórum, foi salientado que Welch mostrava fisicamente que era próximo das pessoas, pois ele desceu do púlpito para se dirigir aos alunos. Sua presença transmitia confiança e conquistava adesão para sua visão, pois seu corpo transmitia que ele acreditava no que dizia. “Ele magnetiza as pessoas por isso”, destacou Kotter.
Wong, desta vez, pontuou que a palavra que o CEO da GE mais usou foi “pessoas”. Kotter recordou que Welch é doutor em engenharia química e que nunca estudou formalmente sobre pessoas, “mas ele é ambicioso e aprendeu que ‘gente’ é importante”.
A autoconfiança de Welch também chamou a atenção. Ele se permite errar, e isso está ligado ao seu olhar para o futuro. “Ele diria: nada de errado com métodos e maneiras de como fazer as coisas, mas padrões são baseados no passado, e você tem de olhar para o mundo e descobrir qual a coisa certa a fazer no presente”, comentou o palestrante.
Como resultado de tal postura, o valor de mercado da GE cresceu enormemente desde 1981. A empresa antiga, cheia de negócios maduros e burocráticos foi, aos poucos, transformando-se.
O processo que a GE usou para realizar a mudança em larga escala seguiu oito passos, os quais podem ser conhecidos na continuação da cobertura da palestra de John Kotter.
Leia mais:
John Kotter: Mudança em 8 passos
Veja a cobertura completa do Fórum HSM de Gestão e Liderança 2011
Portal HSM
05/04/2011

Comentários
qui, 04/07/2011 - 03:54
EXCELENTE, PARABÉNS, MUITO BOM.
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